Detalhes dos Festejos Juninos

de Areia Branca e seu

Maracanã do Forró

PRO

CHE

GUE

MARCOS 

POLIM 

Reportagem

 A cidade que ganhou destaque nacional na década de 90 por suas grandiosas festas, foi a primeira do Nordeste que construiu um espaço dedicado ao forró chamado de "Forródromo". 

   Essa local foi construído com objetivo de oferecer mais conforto para moradores e turistas, bem como,  dançar muito forró ao som da sanfona, triângulo e zabumba. No ano de sua inauguração, em 1992, o espaço recebeu cerca de 100 mil pessoas, segundo levantamento dos organizadores. A cantora Elba Ramalho foi principal nome daquela noite que ficou eternizada na história da cidade.

  Ao longo de suas edições, o dia 31/05 é uma data aguardada por muitos, essa espera acontece desde os primeiros momentos que essa tradição começou no inicio do século XX.

    A tradição de realizar festas no dia 31/05 teve seu início com um caráter religioso. Essa data é marcada com populares reunindo-se para celebrar à chegada do mês de junho. Nas primeiras horas do dia 01/06, começava um cortejo pelas ruas do então povoado. Essa celebração tinha como nome "Batalhão de 1º de São João".

Forródromo de Areia Branca. Foto: Marcos Polim

COMO TUDO COMEÇOU

  O São João de Areia Branca não ganhou destaque nacional de uma hora para outra. Segundo relatos de moradores, essa manifestação cultural começou de uma forma simples, com celebrações ao padroeiro do então povoado de Riachuelo, com fogueiras, brincadeiras, danças, mastros e fogos.

 

   Segundo alguns moradores de Areia Branca, entre os anos de 1920/1925, teve início uma celebração com o nome "Batalhão de 1º de São João". Essa manifestação começava entre os últimos minutos da noite do dia 31 de maio e 1º de junho.

  Os moradores ficavam dançando até às 23h na casa de uma senhora chamada Dona Filhinha, na região conhecida como Praça da Pomba. Quando chegava os primeiros minutos do dia 01/06, começava um cortejo pelas ruas do povoado com candeeiros na cabeças, galho verdes nas mãos, cantando, dançando e tirando versos ao som de sanfona pé-de-bode (oito baixos), zabumba, violão, porca (cuíca) cavaquinho, triângulo. Ao longo do percurso os populares paravam nas casas para pedir comida e bebidas.

   Ao chegar na capela de São João Batista, igreja do padroeiro da cidade hoje, haviam celebrações ao santo e logo depois, realizavam-se brincadeiras entre os populares, apresentações quadrilha junina, além de danças até nascer do sol ao som de forró.

   Genivaldo Simões Santos, morador de Areia Branca, popularmente conhecido por Paitxo, destaca que seu gosto por quadrilhas juninas começou ainda na infância, aos 10 anos de idade. Questionado como era as vestimentas, Paitxo comenta que as roupas tinham o estilo caipira e que os próprios componentes eram os responsáveis pela confecção das vestimentas.

Igreja de São João Batista. Foto: Paixão Artes

Uma das apresentações de Paitxo com sua quadrilha.

Foto: Arquivo pessoal de Paitxo

Entrevista com Dil Calazans de Menezes

 Seu Zé Dil, morador de Areia Branca e um dos organizadores remanescentes da  celebração  Batalhão 1º de São João, recorda momentos marcantes dessa festa que foi base para o surgimento dos Festejos Juninos na cidade.  

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São João de Paz e Amor

  No final dos anos 80 e início dos anos 90, os moradores da cidade se envolveram ainda mais com o Batalhão. De acordo com relatos, o então prefeito da cidade, José do Prado Franco Sobrinho (Zé Franco), que teve mandato até 1986, na tentativa de trazer um ar de modernidade para essa manifestação cultural, criou o “São João de Paz e Amor”, que passou a ser realizado entre os dias 23 e 29 de junho.

   Já no ano de 1990, o então prefeito Ascendino Sousa Filho (Sousa), criou a tradicional abertura dos festejos juninos no dia 31 de maio, no mesmo dia em que acontecia o cortejo de "Batalhão de 1º de São João". A festa passou a ser realizada com vários shows musicais.

Panfleto para divulgação do evento.  

  O slogan "São João de Paz e Amor", foi atribuído aos festejos juninos de Areia Branca por conta do clima amigável e acolhedor da cidade. A festa que até então era realizada em algumas as ruas da cidade foi transferida para a praça da feira, um local amplo, que possibilitava acolher mais pessoas. A praça da feira se transformava em um imenso arraiá. Mesmo o espaço da feira ser consideravelmente grande, acabou tornou-se pequeno tamanha proporção que a festa ganhou. Segundo Everaldo Tavares, morador de Areia Branca e ex-produtor artístico, "antigamente eram confeccionadas bonecas de madeirite (são placas feitas com lâminas de madeira), os turistas pegavam essas bonecas para dançar, tirar foto e depois colocam o mesmo lugares. Aquilo era muito bonito". É possível conferir mais detalhes das bonecas e do espaço da feira nas próximas imagens.   

Foto: Arquivo pessoal Neguinho do Bar.

Foto: Arquivo pessoal Clodoaldo Júnior.

Foto: Arquivo pessoal Cecê Oliveira.

Foto: Arquivo pessoal Cecê Oliveira.

O MARACANÃ DO FORRÓ

 

  Depois da construção do Forródromo, a cidade tornou-se um dos principais pontos turísticos de Sergipe naquele período, sendo considerada à "Capital Sergipana Forró". Esse espaço que recebeu o nome de Forródromo ou Praça do Forródromo, conta com 54 mil m², segundo a prefeitura municipal de Areia Branca. Por passar grande parte do seu tempo sem apresentações artísticas, o espaço tornou-se ponto de encontro entre amigos. Por conta de duas quadras improvisadas (futsal e vôlei), e longas calçadas laterais, muitos moradores aproveitam para praticar atividades físicas. Além dessas usabilidades, o Forródromo tem uma escola em suas dependências físicas.

   Querendo expandir ainda mais o Forró de Areia Branca, o então prefeito Ascendino de Sousa Filho (Sousa), juntamente com João Alves Filho, governador de Sergipe naquele momento, decidiram construir um local amplo, com palco e banheiros físicos, arquibancadas, local reservado para equipes de saúde e segurança pública. O espaço foi inaugurado em 1992, tendo a cantora Elba Ramalho como principal nome daquela noite, que recebeu cerca de 100 mil forrozeiros, segundo levantamentos da época.

  Para Everaldo Tavares, um dos organizadores do São João de Areia Branca na década de 90, a inauguração do Forródromo em 1992 foi algo surpreendente, pois naquela noite Areia Branca recebeu cerca de 100 mil pessoas. "A população se envolvia com a festa, ao ponto de saírem de suas residências com objetivo de alugar aos turistas. Isso acontecia porque o município não se desenvolveu na mesma velocidade da festa ao ponto de construir pousadas e/ou hotéis.", destaca Everaldo. 

Confira mais detalhes:

 FORRÓDROMO DE AREIA BRANCA  "O MARACANÃ DO FORRÓ"

RECORDAR É VIVER!

 Por meio da agência de publicidade Saci Produções, o jornalista Dida Araújo aceitou um convite feito por Beneti Nascimento (jornalista e produtor cultural). Dida realizou seus primeiros trabalhos audiovisuais em Areia Branca em 1991.

  O trabalho de Dida tinha por objetivo mostrar tamanha importância dos Festejos Juninos de Areia Branca para Sergipe, por meio das principais emissoras de TV do estado, bem como, para todo o Brasil através da Rede Globo. “Visando facilitar a divulgação desse material, os equipamentos utilizados eram descaracterizados (microfones sem canopla), assim era possível mandar para várias emissoras e a programação dos Festejos Juninos de Areia Branca estava sempre na mídia”, destaca Dida.

Foto: Marcos Polim

  Para Leonda Oliveira, vereador e morador do município, a história dos festejos juninos da cidade deveria ser preservada. “Lamento porque isso é cultura e deveria ter um museu, mas naquela época era muito atrasado. Hoje é fácil demais, você tendo um celular, ele faz tudo na sua vida”, comenta o vereador que completa dizendo que “graças a Deus o Forró de Areia Branca já esteve no topo, e graças a Deus, hoje, como o prefeito Alan, isso está renascendo”.

  Para disponibilizar os próximos dois vídeos em formato digitais, Dida comenta “consegui uma máquina com o pessoal da TV Canção Nova Aracaju (emissora religiosa sediada em Aracaju, e fiz a transcrição do Betacam para o digital”.

 "Os primeiros arquivos eram salvos em material chamado o-matic, depois passou a ser usado Betacam (formatos de videoteipes profissionais), mas por causa do seu alto valor financeiro, esse material precisou ser substituído pelo formato VHS, já pensando em um resgate futuro da história da festa", lembra Dida.

Confira a seguir imagens dos Festejos Juninos de Areia Branca na década de 90.

SÃO JOÃO DE AREIA BRANCA - 1993

SÃO JOÃO DE AREIA BRANCA - 1998

PROGRAMAÇÕES  ANTIGAS

   Um dos momentos mais aguardados por boa parte dos moradores de Areia Branca no mês de maio era a divulgação da programação dos Festejos Juninos. Wilame Alves, mais conhecido por Zominho, morador de Areia Branca – SE, destaca que a não popularização da internet na década de 90 e início dos anos 2000 foi um dos principais fatores que o levou a colecionar programações da festa. “Essa prática de colecionar programações começou ainda na minha adolescência, eu juntava com meu irmão. As programações eram guardadas em uma caixa de sapato. Quando começava à divulgação fazíamos questão de ganhar algumas para distribuir com outras pessoas”, destaca Wilame.

JOEL FOTOGRAFO

Joel em sua residência. Foto: Marcos Polim

“Cansei de ver turistas argentinos, paraguaios, uruguaios, entre outros para prestigiar os festejos Juninos de 

Areia Branca”, destaca  Joel.

 Joel Alexandre de Lima, popularmente conhecido por Joel Fotografo, foi por muito tempo o principal fotógrafo de Areia Branca. Seus primeiros registros na cidade em foi 1970.

  Questionado sobre o município de Areia Branca não disponibilizar de um local para guardar fotografias e vídeos dos São João, Joel comenta que guarda seus trabalhos com carinho, mas afirma que fica triste, pois Areia Branca teve um forró grandioso, no qual recebia turistas de outros estados do Brasil, bem como, de outros países.

 Joel lembra que suas fotografias eram no formato analógico e o município não tinha laboratórios de revelação. “O serviço de revelação era realizado em Aracaju, eu tinha que fazer as fotos pela noite, pegando aquela multidão, bem como artistas e personalidades, e enviar no outro dia para os jornais no outro dia logo cedo”, diz o fotógrafo.

 

  Por causa da não popularização da internet na década de 90 (momento de maior projeção da festa), e falta de compromisso em preservar essa história que é importante para o município os profissionais das imagens Joel Fotógrafo e Dida Araújo (fotografias e vídeos), bem como populares, foram peças fundamentais na construção de um lindo #TBT da festa.  

  Para fazer uma ornamentação seja em aniversário, casamento ou eventos sociais existem empresas especializadas, mas antigamente não era bem assim com toda facilidade que tenho atualmente. No caso dos Festejos Juninos de Areia Branca, a ornamentação era feita por moradores da cidade. 

  Por muitos anos uma das pessoas responsáveis por essa ornamentação da cidade foi a moradora Lúcia Teles que coordenava uma equipe de  moradores da cidade. As equipes utilizavam à garagem da casa de Dona Lúcia como atelier, onde eram confeccionadas bandeiras, peneiras, bonecas, entre outras coisas, tudo para embelezar a cidade durante o período junino.

  "Minha  equipe era composta com aproximadamente 40 pessoas, na qual o início dos trabalhos aconteciam no mês de março. Essa antecipação se dava por conta da demanda dos trabalhos", lembra Dona Lúcia, que chegou a ser convidada para ornamentar festas de outras cidades.

 Para incentivar o envolvimento da população na ornamentação das ruas do município, eram realizados concursos visando eleger a rua mais bonita de Areia Branca com direito a prêmios para os vencedores.

 Lúcia Teles Foto: arquivo pessoal Clodoaldo Júnior  

  Fabiana Menezes, empresária e moradora da cidade, recorda o envolvimento da população com a ornamentação das ruas. “ A ornamentação da nossa cidade chamava atenção dos turistas. Eu mesma tinha prazer em colaborar no dia que a cidade era ornamentada. A gente sentia alegria em ver os carros pararem para fotografar e levar o nome da nossa cidade para fora. Na época, nossa cidade era bastante movimentada”, lembra a empresária. Fabiana foi questionada se sente falta desse período e a moradora comenta: “sinto muita falta! Acho que não somente eu, mas a população inteira”.

 Foto: arquivo pessoal Cecê Oliveira 

 Foto: arquivo pessoal Joel Fotografo

 Foto: arquivo pessoal Cecê Oliveira 

LENDAS DO FORRÓ

   Vários artistas já se apresentaram no Forródromo de Areia Branca, fazendo milhares de forrozeiros dançarem até o nascer do sol. Dominguinhos, Elba Ramalho, Flávio José, Alcymar Monteiro, Xand Avião, Wesley Safadão e Garota Safada, Erivaldo de Carira, Lourinho do Acordeon, Zé Rosendo e Marluce, Jorge de Altinho, Josa "O Vaqueiro do Sertão", entre outros.   Com inúmeras apresentações já realizadas no Forródromo uma ficou marcada na história da cidade. 

   No ano de 1993, o cantor Dominguinhos, um dos maiores nomes do forró, declarou abertamente para milhares de pessoas que já tinha andado muito pelo Brasil na época junina e não tinha visto nada igual. Que em Areia Branca tem o "Maracanã do Forró", fazendo uma comparação entre o Forródromo e templo do futebol brasileiro.

DECLARAÇÃO DE DOMINGUINHOS

FAZEM PARTE DESSA HISTÓRIA

ZÉ ROSENDO E MARLUCE EM UMA HISTÓRIA DE AMOR

JOSA E A SOMBRA DA JAQUEIRA EM AREIA BRANCA

 O filho de lavradores do povoado Jacaré (Simão Dias), foi por muitos anos destaque regional e até mesmo nacional, quando o assunto era forró de raiz.

 José Gregório Ribeiro, popularmente conhecido por Josa, O Vaqueiro do Sertão, é um dos artistas sergipanos mais lembrados quando o assunto é cultura sergipana.

Josa foi apresentador do programa "Festa na Casa Grande", na rádio Difusora, hoje Aperipê. 

Foto: arquivo pessoal Cecê Oliveira

   Com mais de 45 anos de formação, a dupla Zé Rosendo e Marluce foi destaque no cenário forrozeiro nacional nas décadas de 80 e 90. A música foi uma ponte para essa linda história de amor. Depois do primeiro encontro, cada um foi para um lado, Marluce para Minas Gerais fazer alguns shows com sua banda baile e Zé Rosendo para São Paulo tocar forró. Passaram-se algun tempo, Marluce decidiu ir para São Paulo procurar seu amor, com dois meses de procura, Marluce encontra Zé Rosendo e os dois estão juntos até hoje. Marluce que antes era cantora de banda baile, com maestro e tudo mais, começa à cantar música nordestina, o autêntico forró pé de serra, por incentivo de Zé Rosendo. Com inúmeras apresentações em Areia Branca, Zé Rosendo e Marluce decidem morar na cidade definitivamente.

 Foto: Marcos Polim

    Em passagem por Caldas de Cipó, interior da Bahia, o cantor Luiz Gonzaga, ao ouvir uma das edições do programa "Festa na Casa Grande", enviou um telegrama marcando um encontro com o apresentador, encontro esse que foi realizado posteriormente na praça General Valadão, centro de Aracaju. Desse primeiro encontro surgiu uma grande amizade entre os dois sanfoneiros ao ponto de Josa ser levado para gravar um disco em Recife.

   Com mais de 50 anos de lançada, a música “Na Sombra da Jaqueira”, carro feche de Josa, serviu de inspiração para ele adotar Areia Branca-SE como sua terra. Em um de seus diversos shows na cidade de Areia Branca, Josa encontrou uma fazenda na região da Praça da Pomba com várias jaqueiras. O forrozeiro comprou a fazenda colocando o nome de “Na Sombra da Jaqueira”, deixando sua marca naquela região até hoje. Com tamanha admiração de Josa por Areia branca e todo seu incentivo com a cultura local, no dia 19 de abril de 1996, a Câmara Municipal de Areia Branca concedeu o Título de Cidadão Honorário a Josa.

Foto: arquivo pessoal Joseane Dy Josa

 Clodoaldo de Andrade Júnior, ex-prefeito de Areia Branca (1993-1996), fala sobre os festejos juninos do período em que administrou o município. Ornamentação da festa, como os festejos ganharam proporção nacional, a "Comunhão do Forró", entre outros detalhes, são relatados pelo ex-gestor.

ENTREVISTA ESPECIAL COM CLODOALDO JÚNIOR

  A seguir você vai conferir os bastidores desse dia marcante na história do São João de Areia Branca, com relatos de artistas, idealizadores do evento e moradores da cidade, admirados com tamanha multidão de pessoas que não visto há anos.

Confira mais detalhes:

RESGATE DOS FESTEJOS JUNINOS DE AREIA BRANCA - 2019

  "O São João era uma coisa grandiosa para nós, representava muito, o faturamento aumentava muito, tudo aqui era valorizado", afirma o empresário. Ao ser questionado sobre quais foram os fatores que fizeram os Festejos Juninos da cidade perder seu brilho, Juca destaca que não sabe quais foram os reais fatores, mas acredita que pode ter acontecido por causa de algumas administrações mal sucedidas,a criação de outras festas e o fortalecimento das já existentes por todo o estado de Sergipe. "No meu ponto de vista, o dia que mais tem gente no forró de Areia Branca, é no dia 31 de maio", completa Juca em sua fala.

     

    Dona Zuleide, como é popularmente conhecida em Areia Branca, cidade que mora há 44 anos, fortalece a fala de Juca Peixoto no momento que o empresário afirma que tudo na cidade era valorizado. "Vinham turistas de toda as partes do Brasil que era muito famosa, e então, a gente alugava casas, e aqueles que não alugam as casas, alugavam os terrenos", destaca Zuleide. 

 "Foram as pessoas que comandavam a prefeitura. Foram eles que derrubaram o São João. Foram eles que não quiseram que o São João não fosse mais para frente, porque eles foram os primeiros a derrubar o São João”, Dona Zuleide. 

SÃO JOÃO DE 2019 COM RECORDAÇÕES

   Por muitos anos, Areia Branca foi considerada à "Capital Sergipana do Forró", título atribuído por causa de suas grandiosas festas, na qual eram o principal destino de sergipanos e turistas principalmente no dia 31/05, bem como, em outras datas no mês de junho. Essa realidade foi sendo alterada nos primeiros anos 2000, período que outros eventos espalhados pelo estado. A prefeitura municipal principal organizadora da festa acabou não seguindo a mesma linha de atrações e investimentos dos anos anteriores.

 

  A grandiosidade que um dia foi o São João de Areia Branca é marcante na vida de muitas pessoas, principalmente para moradores antigos da cidade. O empresário do ramo alimentício e morador da cidade desde de 1984, Juca Peixoto (Juquinha), afirma que ao chegar para morar em Areia Branca, foi implantado o primeiro Forró, sendo que o mesmo foi realizado na avenida Senador Walter franco.

  Tiveram três momentos marcantes na história dos Festejos Juninos de Areia Branca. O primeiro grande momento foi na Inauguração do Forródromo (1992), tendo a cantora Elba Ramalho como principal nome daquela noite. O segundo foi na apresentação da banda Falamansa que aconteceu no dia 23/06/2001. No destaque mais recente o dia 31/05/2019, noite que foi considerada por muitos como o resgate dos festejos juninos, tendo aproximadamente 70 mil pessoas dentro do Forródromo, segundo dados extra-oficiais da organização do evento, fora aquelas pessoas que ficaram pelas ruas da cidade que não conseguiram entrar.

Infelizmente o município não disponibiliza dados oficiais para confirmar esses números, ficando apenas em comentários de moradores e pessoas que estiveram presentes nessas noites de festa.

LEMBRANÇAS DOS FORROZEIROS

CASAMENTO TABARÉU

   A cavalgada é um tipo de manifestação cultural bastante conhecida em vários lugares no país, principalmente na região Nordeste. Essas cavalgadas nada mais são que passeios a cavalo, podendo ter, carroças, carros, caminhões entre outros, embalados pelo forró e todas. Geralmente essas músicas são ao vivo, com bandas ou grupos de forró, mas podem ser gravadas também. Já o casamento tabaréu têm essas mesmas características, com um diferencial, ao final do percurso, acontecem encenações de casamentos caipiras, onde que os noivos usam roupas de matutos.

 

  Em várias edições do "Casamento Tabaréu/Cavalgada de Areia Branca", seu pontapé inicial foi no estádio de futebol, seguindo pela avenida: Heráclito Diniz indo até o final da avenida senador Walter Franco, retornando pela mesma avenida até o Forródromo. Um dos momentos mais aguardados dessa festividade juninas de Areia Branca, é a chegada na fazenda de Josa, "O Vaqueiro do Sertão" (Na Sombra da Jaqueira), situada no final da avenida senador Walter Franco, momento que as cancelas são abertas e todos aproveitam o grandioso pasto para brincar com os cavalos correndo de um lado para outro. 

  A seguir você vai conferir mais detalhes dessa manifestação que por anos é responsável por fechar com chave de ouro mais uma edição dos Festejos Juninos de Areia Branca e celebrar São Pedro, pois tradicionalmente sua realização acontece no 29/06.

Confira mais detalhes:

Casamento Tabaréu/Cavalgada de Areia Branca - SE

  Ao amanhecer o último dia de festa, populares e organização do evento (prefeitura municipal), arrumavam um grandioso café da manhã com várias comidas típicas, entre elas: bolos de diverso sabores, cuscuz, macaxeira, inhame, milho cozinhado, amendoim, acompanhado de vários tipos de carnes. Eram servidos também: pães, café, leite, entre outras coisas.

   "Para muitos, o café da manhã servido no São João de Areia Branca era basicamente uma comunhão do forró. Tinha essa parecença por conta do momento que ele era servido, no encerramento da festa, onde a sanfona iria parar de tocar,  e com isso, iria aparecer à saudade e vontade que o ano passasse rápido para chegar o próximo São João", Clodoaldo Júnior, ex-prefeito de de Areia Branca(1993-1996).

 A senhora Kinha, que foi uma das responsáveis pela organização última edição do café da manhã (2014), tendo a prefeitura municipal como principal financiadora de todos os custos, destaca “trabalhamos com ovos, macaxeira, cuscuz, inhame, entre outras coisas. Foi preciso dois dias e duas noites para deixar tudo pronto, e o mesmo foi servido para aproximadamente 40 a 50 mil pessoas”. Leonda Oliveira também é um dos moradores que participou desse encerramento da festa, o mesmo comenta: “Não só participei levando comida feita, como fiz muita comida para mandar. Isso aí já foi feito com o ex-prefeito Sousa e locou”, Leonda completa dizendo: “O pessoal vinha para o São Pedro e ficava esperando o café da manhã, se desse 10 horas e o café não tivesse saído (isso nunca aconteceu), o povo fica e forró comia no centro”.

COMUNHÃO DO FORRÓ

 Preparação para o Café da Manhã da década de 90.

Foto: arquivo pessoal Clodoaldo Júnior  

  Você acabou de conhecer em detalhes um dos festejos juninos mais tradicionais do estado de Sergipe, festa essa que ganhou destaque nacional na década de 90, com edições que duraram vários dias do mês junho. Mas tenha calma, pois não acabou. Conheça agora uma particularidade dessa festa, algo que não acontece ou acontecia em outros eventos, Comunhão do Forró.

  A tradição dos Festejos Juninos de Areia Branca tiveram vários fatores que tornaram à pacata cidade do agreste sergipano em um importante destino turístico para Sergipe no mês de junho na década de 90  quando o assunto era dançar forró no mês de junho. A "Comunhão do Forró", nome dado para um café da manhã servido para os forrozeiros nos últimos momentos da festa é uma particularidade da festa que não pode ser esquecida.

Não foi por acaso que essa celebração, particularidade ou fato curioso, como deseje chamar, foi deixado por último. Essa surpresa foi por muitos anos um fator que chamou atenção para vários forrozeiros que passaram a noite toda dançando forró do Forródromo de Areia Branca.

Reportagem multimídia produzida como projeto experimental no curso de jornalismo da Universidade Federal de Sergipe

  Fabiana Menezes, moradora da cidade, comenta como era participar desta comunhão. “No último dia dos festejos, a gente organizava uma mesa imensa no Forródromo, com vários tipos de comidas típicas, para aquelas pessoas que vieram festejar saborear um maravilhoso café da manhã”.

    Clodoaldo Junior, ex-prefeito de de Areia Branca, afirma que não bastasse o "Café da Manhã/Comunhão do Forró", ainda tinha sorteios de geladeiras, ar-condicionados, fogões entre outros eletrodomésticos. "Alguns prêmios eram comprados pelo município e outros eram doações de patrocinadores", destaca Junior. "Para participar dos sorteios, as pessoas traziam pratos típicos que seriam oferecidos no café da manhã, ao entregar, essa pessoa recebia um bilhete dando oportunidade de participar. O engajamento da população e comerciantes com essa parte da festa era tamanha, que em muitas de suas edições, populares, comerciantes e barraqueiros que participavam das noites de festa, contribuíram com doações de pratos para manutenção desse parte encerramento", destaca Kinha, comerciante e uma das barraqueiras mais antigas do São João de Areia Branca.

ORNAMENTAÇÃO DA CIDADE

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